29/12/2006 ..

Em 2007, você tem fome de quê?



Enfim férias! Foi um ano e tanto, dá uma olhada no que a turma da casinha laranja à beira do canal conquistou só em 2006:

Chef do Ano 2006 - Revista Veja
Chef do Ano 2006 - Revista Gula
Melhor Chef 2006 - Jornal O Globo
Chef do Ano 2007 - Guia Danusia Bárbara de Restaurantes
Chef do ano Brasil - Prêmio Brasil de Gastronomia
Melhor restaurante contemporâneo 2006 - Revista Veja
Melhor restaurante contemporâneo 2006 - Revista Gula

Imagina o que eles vão aprontar em 2007?

Essa turma é boa, gente que soa o jaleco com alegria, amor e muita sinceridade. Comida é alegria, felicidade. Felicidade só vale a pena se vier escoltada por sinceridade. O ato de sentar junto, dividir, experimentar, é uma das maiores manifestações de alegria que conheço. A gente trabalhou todos os dias desse maravilhoso ano que passou à procura desse momento. O momento da alegria, da gargalhada, da satisfação, da felicidade repleta de sinceridade.

Da nossa janelinha, a gente passou o ano todo espiando de dentro da cozinha as reações dos nossos clientes. Queríamos mais, muito mais do que saber se estavam gostando da nossa comida... Queríamos saber da alegria, do encontro, da comunhão que aquela comida poderia proporcionar. Algumas vezes acertamos em cheio, outras não. Faz parte? Acho que não, a nossa busca obstinada por essa alegria não permite falhas.

Por isso em 2007, a gente vai estar faminto por execuções mais do que quase perfeitas, superação de todos os limites que ainda nos impediram de realizar alguns desejos e a doação absoluta à causa que nos move: a busca da felicidade alheia. Por que com ela a gente encontra a nossa, isso é mais do que certo!

Foi fácil decidir que devíamos parar esses 15 dias na casinha laranja, o difícil foi me convencer a parar por aqui também! Precisei de uma junta médica: minhas assessoras, minha médica e até o alto escalão do grande Ego! Enfim, fui convencida de que aquela velha frase que sempre digo, hoje me cabe como uma luva: a vida precisa de pausas! Para mim também!

Mas espera aí, nada de esmorecer e deixar o pique cair! Enquanto estiver fora deixo o espaço nas mãos de vocês, sob a batuta da Presidente que irá orquestrar o nosso próximo recorde! A tarefa da I Maratona Viva! é a seguinte: até o dia 15 de janeiro, o post de 29 de dezembro deverá bater o recorde de : 2000, isso mesmo, dois mil comentários!!!! Ou vocês acharam que iam se livrar de mim assim tão fácil?

O primeiro tema da maratona é: “em 2007, você tem fome de quê?”. Os próximos serão definidos pela nossa Presidente, que a partir de agora toma fica responsável pela condução do reino da Viva, faz as honras da casa e ainda cuida do Vitorino!

E não pensem que não vou passar de vez em quando por aqui para dar uma espiada, conferir o andamento das coisas e ter certeza de que todos ainda estão comendo na minha mão!

Até já!
28/12/2006 ..

Eu não sou Caetano... pena!


Tudo bem, eu não sou Caetano! O que é uma pena, quem não adoraria ser Caetano por um dia? Eu, entre outras coisas, adoraria poder chamar uns e outros de idiota, Caetano chama com uma sinceridade poética que fica até lisonjeiro!

Fala sério, quem não tem vontade de vez em quando de soltar um idiota bem redondo? Caetano diz:”esses idiotas não me entendem!”. Acho lindo! Adoro! Sonho ser Caetano por um dia para poder dizer: “esses idiotas não me entendem!”. Não quero com isso parecer pretensiosa, imagina, Caetano é Caetano e só tem um. Só quero um minuto de liberdade, de ser Caetano, para poder dizer: “idiotas!”.

Pensa bem, você sua o jaleco todos os dias porque quer. Você se mata de trabalhar porque quer. Você acredita num ideal e o persegue até a morte, porque quer também. Você ri, você chora, você vive esse sonho e finalmente se vê chegando lá. Conquista prêmios importantes, conquista respeito, credibilidade, admiração. Você lutou por isso porque quis. Mas não conquistou só porque quis, conquistou porque foi capaz.

Parece que fazer o que se acredita, sem abrir mão de ser intenso e verdadeiro, incomoda. Bom, quanto a isso não posso fazer nada, só vibrar por viver num país que tem Caetano e lamentar a existência daqueles que Caetano com muita propriedade chama de: IDIOTAS!

Até!
28/12/2006 ..

Quem vai alimentar o fermento?


Estamos na reta final, é como se enxergássemos ao longe a praia, a rede, o cinema no meio da tarde, o sorvete em frente ao mar... Sábado fechamos a casinha laranja à beira do canal para as nossas merecidas férias coletivas. Adoro isso, acho saudável, corajoso e extremamente moderno, todos saem juntos, todos voltam juntos. Todos saem exaustos, todos voltam bronzeados!

Um detalhe de extrema importância nessa saída coletiva é o ato de alimentar o nosso fermento. Trabalhamos o nosso pão com fermento natural, o nosso primeiro fermento vai fazer dois anos em janeiro junto com o Roberta Sudbrack e se chama Lorenzo, em homenagem ao padroeiro dos cozinheiros. Mas na verdade temos três fermentos que revezamos o uso para não saturar. O Lorenzo é de uva, o Junior é de maçã e o nosso novo bebê, que tem só dois meses, é de pêssego!

A questão é a seguinte, são todos seres vivos, logo, precisam de cuidado! Precisam ser alimentados todos os dias senão morrem. Então o que acontece é o seguinte, último dia de trabalho, todos se despedem, se abraçam, desejam um bom descanso e se emocionam – é a gente consegue isso, mesmo precisando desesperadamente de férias, a gente chora na despedida!

Depois das manifestações de carinho, todos fazem uma fila na porta da cozinha a espera do seu pedacinho de fermento. Isso mesmo, cada um vai levar para onde quer que vá, um pedacinho de fermento e irá alimentá-lo todos os dias. Isso significa que teremos fermento em Pernambuco, na Paraíba do Norte, em Caxias, em Angra, no Leblon e em Minas Gerais!

No dia marcado para a volta, retornam todos revigorados, bronzeados, e com o fermento gordo e bem alimentado! Juntamos os nossos pedaços, agora imensos, e refazemos o fermento nosso de cada dia. Para mim é mais do que um procedimento, é um ato de amor. Amor que a gente leva com a gente para onde quer que vá, no coração, na alma e na bolsa, mesmo quando estar longe da casinha laranja se faz necessário.

Até!
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